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PROGRAMA INTEGRADO (CORE Stability) PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
18-Fev-2007


APLICAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DOS MÉTODOS ROLF E PILATES NA CORREÇÃO POSTURAL E EDUCAÇÃO MOTORA DURANTE A PRATICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS
(Programa Integrado de Treinamento da Estabilidade da Coluna
para a Prevenção de Lesões e Dores Crônicas)

EDGARD ZANOLLI
HARMONIA-Trabalhos Corporais Integrativos
www.harmonia-tci.com


1. INTRODUÇÃO

No mundo moderno, a dor lombar representa uma das principais razões para que dois terços da população procure os cuidados médicos, pelo menos uma vez em suas vidas. Ao lado das lesões provocadas por esforços repetitivos, em países desenvolvidos industrialmente, está diretamente relacionada a altíssimos custos na área de saúde (Porterfield JA & DeRosa C 1998).
Muitas escolas terapêuticas possuem suas próprias filosofias a respeito de quais fatores estariam causando este distúrbio e quais seriam as melhores formas de tratamento e prevenção.
Os Ortopedistas, baseando-se nos dados radiológicos, estabelecem que os aspectos traumáticos e degenerativos das articulações seriam as causas do problema. Prescrevem o uso de analgésicos, anti-inflamatórios ou relaxantes musculares e podem acrescentar ainda, tratamentos com agentes físicos tais como, frio, calor ou estímulos com ondas eletromagnéticas. E se estes forem pouco efetivos, então o paciente poderá ser encaminhado para uma intervenção cirúrgica (Saag KG & Cowdery JS 1994; Fries JF1992).
Quiropraxistas preferem tratar as sub-luxações, fazendo correções de desvios no alinhamento vertebral, enquanto que os Terapeutas Manuais e Osteopatas focalizam o problema na mobilidade das articulações (Di Giovana EL & Schiowitz S 1997; Lott GS et al 1990).
Fisioterapeutas aplicam exercícios físicos, às vezes combinados com massagem, na tentativa de reabilitar músculos atrofiados, tensos ou encurtados, os quais necessitam ser fortalecidos, relaxados ou alongados.
Os Acupuncturistas que, seguem os ensinamentos da Medicina Oriental, tratam inserindo agulhas em pontos relacionados com órgãos internos (Langevin HM &Yandow JA 2002; Rosenholtz C et al 2001; Marcus A1998) e finalmente, alguns Terapeutas que atuam com abordagens psicossomáticas, tais como os de Yoga, Bioenergética, Métodos Rolf, Feldenkrais e da Técnica de Alexander, dentre outros, alertam sobre a necessidade de se associarem os aspectos mentais, emocionais e psico-sociais, com o toque terapêutico, técnicas de massagem e relaxamento ou com correções da postura (Lederman E 1997; Latey PJ 1996; Schultz RL & Feitis R 1996).
Pesquisas realizadas para comprovar a validade e a lógica de algumas destas modalidades, nem sempre estabelecem uma conclusão definitiva. Como por exemplo, estudos de Ressonância Magnética demonstraram que, muitos indivíduos usualmente sem queixa de dor, apresentavam as mesmas porcentagens de degenerações articulares, hérnias, protrusões e rupturas de discos, que os pacientes com sintomas de dores lombares (Jensen MC et al 1994). Ou então, que a concentração de carga ou tensões sobre componentes neuro-vasculares da coluna, pode provocar sinais de dor, mesmo que não seja severa o bastante para causar lesões (Adams MA & Dolan P, 2001).
Por mais contraditórias que sejam as explicações de profissionais atuantes nestas diferentes áreas, podemos encontrar nos seus relatos de experiência clinica pessoal, muitos dados que confirmam a eficácia de seus métodos (Schleip R 2002). Infelizmente, a falta de um critério cientifico rigoroso no manuseio destes dados e informações, faz com que tais relatos não sejam considerados nos meios acadêmicos (Schleip R 2000).
Qualquer uma das modalidades terapêuticas mencionadas anteriormente pode determinar o alivio da dor, sozinha ou em combinação com as outras. Todavia, mesmo quando combinadas a uma intervenção cirúrgica bem sucedida, não garantirão que, o individuo que siga em sua rotina diária de atividades, nunca mais irá apresentar um quadro de dores, após o tratamento (Chaitow L & Delany JW 2002; Adams MA & Dolan P, 2001; Richardson CA & Jull GA1995).
Observarmos com freqüência, que indivíduos tendo em mente a preocupação em manter a saúde e a vitalidade, sempre buscam treinamento de força muscular ou atividades aeróbicas para o aumento de resistência cardio-respiratória. Inclusive, na reabilitação de alguns pacientes com dores nas costas ou problemas de coluna, assume-se também que estes devem receber treinamento para fortalecimento muscular. Mas, isto não parece ser realmente seguro (Liebenson C 1997).
A pratica de exercícios em diversas modalidades terapêuticas, envolve de fato, o aumento de força e resistência. Entretanto, a ênfase excessiva na força muscular, sem a coordenação motora adequada e a estabilidade necessária ao tronco, pode representar grande falha clinica na tentativa de correções de problemas de coluna e de dores crônicas. Deve-se na verdade, evitar a sobrecarga e o estresse repetitivo às articulações, os quais predispõem ainda mais, ao desenvolvimento de uma serie de lesões (Liebenson C 2000,1997).
Quando nosso organismo é desafiado previamente com estímulos específicos, exigindo trabalho gradual de nossa musculatura periférica ou cardíaca,  teremos evidentemente melhor desempenho em uma situação futura de desafio de força. Mas por este motivo, de maneira análoga, devemos estimular a atividade dos músculos que participam diretamente das estabilizações articulares, para que os movimentos possam sempre ocorrer de forma eficiente e com baixo risco de lesões (O’Sullivan PB 2000; Liebenson C 2000; Rolf IP 1997).
Pesquisas atuais têm demonstrado que a chave para essa aptidão esta na aplicação de um  programa denominado de Treinamento Funcional para a Estabilização do Core* (“Core Stabilization”), que depende de ajustes na simetria do sistema músculo-esquelético, educação postural e condicionamento físico, envolvendo aprendizado motor e consciência para o movimento (Adams MA & Dolan P, 2001; O’Sullivan PB 2000; Liebenson C 2000).
Estamos desenvolvendo em nosso centro terapêutico, métodos estabelecidos mundialmente para a reabilitação e ao mesmo tempo para a prevenção de dores e problemas de coluna, seguindo os fundamentos de Terapias Manuais, Posturais e de Movimento. Nos últimos anos a efetividade destes trabalhos terapêuticos tem sido confirmadas em suas bases na pesquisa cientifica e segundo diversos autores, podem ser potencializadas, quando aplicadas de forma interdisciplinar (Chaitow L & Delany JW 2002; Adams MA & Dolan P, 2001).
Nossos objetivos não são de tratamento de sintomas. Qualquer individuo que busque estes métodos, na tentativa de tratar diretamente qualquer patologia, deve ser encaminhado imediatamente aos cuidados médicos adequados. Nossa proposta é o desenvolvimento da capacidade do individuo para manter-se saudável, através do que designamos de Trabalhos Corporais Integrativos. 


2. O TRABALHO CORPORAL INTEGRATIVO

As bases técnicas e filosóficas de nosso trabalho alicerçam-se nos pensamentos desenvolvidos por dois ilustres contemporâneos da primeira metade do Século XX, entusiastas da saúde e do desenvolvimento humano. A Norte-Americana Ida P. Rolf, PhD (1896-1979), criadora do método que ela designou de “Integração Estrutural”,  e o Alemão Joseph H. Pilates (1880-1967), que criou a “Contrologia” (Pilates JH & Miller WJ 2000; Rolf IP, 1990).
Adotamos o termo “Trabalho Corporal” ao invés de “Terapia”, para enfatizar os propósitos destes gênios brilhantes, que estabeleceram de forma critica e futurística que, os métodos utilizados pelas pessoas ou até mesmo os profissionais da área médica, para obterem um estado pleno de saúde, já em suas épocas, não eram satisfatórios. Apesar de as abordagens propostas por Rolf e Pilates apresentarem resultados maravilhosos no alivio de sintomas, estes não estavam realmente interessados em focalizar exclusivamente no tratamento sintomático. Quando as pessoas buscavam seus serviços, podiam perceber-se momentaneamente com algum problema de saúde, mas ambos sempre atuavam no processo de desenvolvimento do potencial humano para uma vida plena de vitalidade e energia. Os resultados eram satisfatórios na maioria das vezes e por isso os Métodos Rolf e Pilates são consagrados hoje em dia, como sendo praticas holísticas de excelência (Muscolino JE & Cipriani S 2004 I,II; Myers TW, 2003 I,II - 2004 III ).
Portanto, diante de perspectivas sobre os distúrbios da coluna e a sua prevenção, não bastam um tratamento terapêutico para o alivio sintomático momentâneo, através de qualquer tipo eficaz de intervenção. A cura efetiva e a prevenção de novos episódios de lesões dependem de um processo de aprendizado e conscientização do individuo para que este assuma um trabalho corporal criterioso e especifico, com mudanças comportamentais para o resto da vida, se quiser desfrutar com qualidade, os privilégios da longevidade (Anderson BD & Spector A 2000; Rolf IP 1998; Richardson CA et al 2001).




3. DESEQUILIBRIOS MUSCULARES E PROPIOCEPÇÃO

Traumatismos resultantes de impactos sobre a estrutura corporal, desde a infância, deixam suas marcas e seqüelas. Como estes episódios são quase sempre acompanhados de dor, os mecanismos naturais de defesa, induzem respostas reflexas compensatórias de espasmo ou inativação de certos grupos musculares. Com o tempo, estas respostas tornam-se crônicas, sobrepondo-se ao controle dos movimentos pelo próprio individuo, instalando-se assim, uma espécie de “amnésia sensorial motora” (Myers TW 2005; Chaitow L & Delany JW 2002; Rolf IP 1998).
De acordo com Bergmark (1989) existem dois sistemas de grupos musculares responsáveis pela manutenção da estabilidade da coluna. O Sistema Global de músculos dinâmicos, capazes de criar movimentos do tronco, sem estarem ligados diretamente à coluna (Retos e Oblíquos do Abdome e porção torácica dos Ílio-Costais Lombares). E o Sistema Local de músculos intrínsecos, que se ligam diretamente às vértebras, responsáveis pela estabilidade segmentar (Multifidus, Psoas Maior, Quadrado Lombar, Transverso e fibras posteriores do Obliquo Interno do Abdome, porções lombares dos Ílio-Costais Lombares e do Longuíssimo, e Diafragma) (O’Sullivan PB 2000; Bergmark A 1989).
Um outro pesquisador, Norris (2001), também propõe um modelo de classificação muscular de acordo com as funções de mobilização e estabilização do tronco. Os Estabilizadores Primários (Transverso do Abdome e Multifidus) e Secundários (Obliquo Interno, fibras mediais do Obliquo Externo do Abdome e o Quadrado Lombar) e os Mobilizadores (Reto e fibras laterais do Obliquo Externo do Abdome e Eretores da Espinha). Quando os estabilizadores são inibidos ou ficam inativos, os Mobilizadores convertem-se em Estabilizadores Terciários (Norris CM 2002, 2001).
De acordo com outro modelo (Figura 1), proposto por Panjabi MM (1992), podemos constatar que a estabilização da coluna depende da integridade dos componentes Passivo (osteo-articular-ligamentar), Ativo (mio-fascial) e Neurológico (neuro-motor-sensorial). A disfunção em qualquer um destes componentes irá solicitar maior desempenho, dos outros, para compensar temporária ou permanentemente os distúrbios sofridos.

Fig.1-Componentes de Controle
da Estabilidade da Couna
(Panjabi MM 1992)










Os músculos responsáveis pela estabilidade postural, reagem de forma reflexa aos efeitos da força de gravidade sobre o esqueleto axial, protegendo as estruturas articulares, contra as conseqüências de compressões, de hipermobilidade durante flexões, extensões e rotações ou de perturbações por movimentos repentinos (Liebenson C 2000; Liebenson C 1998). Por isso são chamados de Músculos Posturais e diante de episódios de dor, podem se tornar inativos, em conseqüência daquela disfunção da memória sensório-motora, quando o sistema motor perde controle sobre quais seriam os circuitos nervosos envolvidos no recrutamento destes músculos (Myers TW 2005; Schleip R 2003).
O controle da postura esta em parte, também relacionado com o sistema nervoso autônomo (subconsciente), e por isso, na falta de atividade dos Músculos Posturais, o individuo passa então a demonstrar preferência pelo recrutamento voluntário dos músculos dinâmicos do Sistema Global, ou seja, os Movedores do tronco passam a atuar como Estabilizadores (Norris CM 2001; O’Sullivan PB 2000; Bergmark A 1989). Isso acarretará em sobrecarga repetitiva, levando ao aumento da rigidez muscular e encurtamentos, com compressões articulares e neuro-vasculares além da instalação de pontos dolorosos ou isquêmicos (“trigger points”) (Chaitow L & Delany JW 2002; Norris CM 2001; Liebenson C 2000; Rolf IP 1998).
Ao analisarmos os padrões corporais que se instalam após a idade adulta, podemos fazer uma relação direta, entre a historia individual de acidentes e agressões vivenciadas pelo corpo com as alterações estruturais e funcionais estabelecidas por desvios posturais. Tais padrões são resultantes de um processo de adaptação do Sistema Neuro-Mio-Fascial e são criados pelas compensações antálgicas que afetam a organização simétrica desse corpo ao redor de seu eixo.  (Chaitow L & Delany JW 2002; Myers TW 2002; Schultz RL & Feitis R 1996; Rolf IP 1990).
A tentativa de mover-se sob tais condições agrava mais a situação do individuo, provocando muitas vezes, lesões por atrito ou ruptura, com alterações das dimensões intra-articulares e da amplitude dos movimentos. O individuo experimenta então, uma serie repetida de episódios inflamatórios, podendo ser acompanhados de dores mio-fasciais, tendinites, capsulites, sinovites, artrites e artroses (Chaitow L & Delany JW 2002; Norris CM 2001; Chaitow L 2000). A sensação crônica de dor, ao lado do comprometimento dos movimentos aumenta ainda mais a deficiência na propiocepção (Myers TW 2005; Rolf IP 1998).
Com os músculos posturais em desequilíbrio, a estabilidade da coluna fica comprometida, predispondo a uma sobrecarga nos seus componentes passivos e que culminam com o surgimento de processos degenerativos (Panjabi MM 1992; Robbie DL 1977). Para resgatarmos o trabalho muscular de sustentação destas, é necessária uma interação entre processos mentais e corporais para aumentar a auto-percepção no campo gravitacional (Schleip R 2003; Adams MA & Dolan P 2001; Latey PJ 1996; Rolf IP 1990).
    Podemos constatar, ao analisarmos a Figura 2, que os padrões posturais e suas conseqüências estão diretamente relacionados com um ciclo vicioso de dor, contração muscular, rigidez e dor novamente, resultando em a perda funcional.


Fig.2-esquema do ciclo da dor e perda das funções motoras com
o estabelecimento de alterações posturais (adaptado de vários autores).


               
























Portanto, não basta condicionarmos músculos de forma automática, ou seja, sem consciência, ou estaremos contribuindo ainda mais com a continuidade deste ciclo. A co-ativação de pares agonista-antagonista ao redor de uma articulação, que é o principal fator responsável pela sua estabilidade, só pode ser conseguida através do aprendizado motor e condicionamento reflexo (Richardson CA et al 2001; Lange C et al 2000; O’Sullivan PB 2000; Anderson BD & Spector A 2000; Liebenson C 2000).
 A analise da postura, estática e dinâmica alem da capacidade respiratória durante testes de amplitude e força, pode nos dar pistas sobre quais desequilíbrios musculares, seriam os responsáveis pelas alterações na estabilidade do esqueleto axial (Hodges PW & Richardson CA 1999). Portanto, para iniciarmos um trabalho de reabilitação e prevenção de dores crônicas, com os critérios dos Trabalhos Corporais Integrativos, os objetivos são estabelecidos especificamente para cada individuo, mediante uma avaliação previa que envolve:

    Entrevista inicial relacionando-se laudos clínicos ao histórico pessoal (Anamnése).

    Analise Visual da Simetria Estática e Dinâmica (Avaliação Postural).

    Analise da Capacidade de Controle Respiratório e da Estabilidade do Tronco,
durante Testes de Amplitude de Movimentos e Força Muscular (Testes Funcionais).

E após as conclusões obtidas com os critérios de avaliação citados acima, as seguintes abordagens são oferecidas, para que no final, o indivíduo recupere a saúde e vitalidade da coluna vertebral:

    Terapia Manual para Ajustes e Mobilizações Articulares
TERAPIA MANUAL INTEGRATIVA
(Desativação de Trigger Points, Relaxamento, Flexibilização e Alongamento Passivo)

    Trabalho Corporal para Correção Postural e Equilíbrio Muscular
METODO ROLF DE INTEGRAÇÃO ESTRUTURAL
(Liberação Mio-Fascial, Educação para o Movimento Consciente
e Integração Proprioceptiva ao Campo Gravitacional)

    Treinamento Abdominal Funcional para Estabilidade do Tronco
METODO PILATES INTEGRADO
(Condicionamento para o Controle Reflexo da Respiração com
Estabilização Proximal e Mobilidade Distal)

    Treinamento de Consciência Sinestésica
NORDIC WALKING (Caminhar Integrado/Walking-Pilates)
(Caminhada com o impulso dos braços colocando-se em pratica todos os Princípios dos Métodos Rolf e Pilates, para a fixação do Aprendizado Motor de Estabilidade da Coluna. Este poderá ser aplicado então, em qualquer tarefa do cotidiano, no trabalho, esporte ou lazer)


4. METODOLOGIA

Avaliação Previa

“A Postura é reflexo da alma, ou seja, da maneira como um ser se expressa física, mental e emocionalmente, através de seu corpo”, este é o foco principal de nossos métodos.
 Na Entrevista Inicial já se dá inicio à abordagem terapêutica, pois é através desta que ocorre a tomada de consciência pelo individuo, a respeito de seu estado de saúde. Acreditamos que o contato com sua necessidade de mudanças comportamentais, determinará a evolução do processo. Nossa proposta estabelece que estas mudanças devam ocorrer não só nos aspectos biomecânicos de condicionamento físico ou de aprendizado motor, mas podem envolver também, hábitos alimentares, perda de peso, controle dos níveis de estresse, atividades de trabalho, esporte ou lazer, etc. Desta forma, sempre que necessário, as pessoas são encorajadas a buscar uma abordagem complementar junto a Psicólogos, Nutricionistas, Endocrinologistas, etc. O grau de responsabilidade do individuo pelo seu estado de saúde, é fator determinante para a sedimentação do aprendizado motor, necessário à cura e prevenção de novas lesões.
A Avaliação Postural Estática irá demonstrar, através da tomada de imagens digitais, a maneira como uma pessoa se relaciona com o campo gravitacional, ao ficar de pé.  Uma analise detalhada da simetria corporal, fornece pistas a respeito de desequilíbrios musculares, estabelecendo os locais onde deveremos atuar para liberar estruturas e resgatar as funções (Myers TW 2005, 2002; Chaitow L & Delany JW 2002; Linn J 2000).
A Avaliação Dinâmica da marcha, do Controle Respiratório e da Estabilidade durante testes de Amplitude de Movimento e de Força Muscular, determinarão um programa especifico de treinamento para cada individuo, dentro evidentemente, do nosso sistema de Estabilidade da Coluna já padronizado, onde conseguiremos os benefícios gerais para a saúde como um todo (Richardson CA et al 2001;  Norris CM 2001; Liebenson C 2000; Lange C et al 2000; O’Sullivan PB 2000).
Finalmente, através da historia individual poderemos fazer relações entre as crenças sobre doença, saúde, tratamento, cura e quais as melhores modalidades de exercícios para o estado atual, físico, mental e emocional. A maneira como o individuo incorpora crenças sobre a realidade de sua condição crônica ou momentânea, decorrentes de informações que recebe do ambiente à sua volta, de outras pessoas, dos meios de comunicação ou de outros profissionais da saúde, também afetam o processo (Dilts R et al 1990). Muitas vezes, na mente das pessoas encontramos distorções que precisam ser esclarecidas ou continuarão contribuindo para um progresso lento ou fracasso total da reabilitação (Adams MA & Dolan P, 2001; Latey PJ 1997).
Muitas seqüelas de agressões à estrutura física nem sempre são totalmente reversíveis, nem mesmo por uma intervenção cirúrgica, por isso, por questão de bom senso, seria ótimo que o individuo, portador de qualquer disfunção músculo-esquelética, aprendesse a administrar melhor sua “economia” energético-corporal, para levar a vida em um nível de qualidade aceitável.

Terapia Manual, Ajustes e Mobilizações

A Terapia Manual Integrativa e o Método Rolf como técnicas, seguem as bases da manipulação profunda dos tecidos conjuntivos, afetando as relações neuro-mio-fasciais. Ambas as abordagens focalizam a Integração Estrutural e Funcional entre componentes individualizados e o corpo como um todo (Riggs A 2002; Lederman 1997; Cantu RI & Grodin AJ 1992).
A Terapia Manual Integrativa pode ser aplicada com o propósito de auxiliar no alivio de sintomas relacionados com tensões musculares, acompanhadas de dor mio-fascial, presença de “trigger points” ou restrições de movimento, decorrentes de algum tipo de estresse. Utilizam-se manobras de massagem profunda dos tecidos para a liberação mio-fascial, mobilização articular e neural, além de alongamento muscular passivo (Riggs A 2002; Maitland J 2001; Weiselfish-Giammatteo S 1998).

Correção Postural, Equilíbrio Muscular e Integração Estrutural

O Método Rolf de Integração Estrutural, por seu caráter de “processo terapêutico” e não apenas de técnica de tratamento sintomático, envolve uma abordagem psicossomática ao trabalhar mais profundamente com as relações entre os aspectos físicos, mentais, emocionais e até espirituais do individuo (www.theiasi.org; www.rolfguild.com.br). Para isso, partindo de princípios Biomédicos (anatômicos, fisiológicos, biomecânicos, etc), focaliza no desenvolvimento da propiocepção do campo orgânico individual (bioenergético, postural, emocional), dentro do campo energético do Planeta Terra (gravitacional, climático, eletromagnético) e no contexto do comportamento Psico-Social (psico-motor, caracteriológico, estressores) (Myers TW 2004; Caspari M & Zorn A 2002; Oschman JL1997; Latey PJ 1996; Cottingham JT 1987).

Treinamento Abdominal para a Estabilidade do Tronco

O Método Pilates Integrado é desenvolvido baseando-se nos princípios da “Contrologia”, ou seja, segundo o próprio Joseph H. Pilates, a ciência e a arte do controle total da mente sobre os movimentos do corpo no espaço, a partir do “Core” (Gallagher SP & Kryzanowska R 1999). De forma similar ao Método Rolf, também envolve vários conceitos sobre o desenvolvimento da consciência de que, todo movimento inicia-se a partir desse centro de gravidade. O termo “Core”, muito usado por profissionais de Integração Estrutural vem ganhando maior importância, e esta sendo adotado pelos cientistas para definir a musculatura intrínseca (Schleip R 2002). Entende-se desta forma que, a partir do âmago da estrutura física do individuo, é que se iniciam todos os movimentos (Rolf IP 1990). Joseph Pilates chamava esta região de “Power House”, ou seja, o centro gerador de força e poder do individuo (Pilates JH & Miller WJ 2000), enquanto que Ida Rolf afirmava que os movimentos impensados e desajeitados de um adulto só poderiam ser provenientes de um “Core” instável e imaturo, como o de uma criança inexperiente (Feitis R 1978; Rolf IP 1998).
Hoje, já se pode constatar através de diversas publicações cientificas que confirmam as relações desse “Core”, com os músculos da região abdomino-pelvica, responsáveis pela estabilidade da coluna (O’Sullivan PB 2000; Clark MA & Cummings PD 2000)
 O Método Pilates se baseia no treinamento da capacidade de co-contrações dos músculos abdominais e lombo-pelvicos profundos, anteriores e posteriores, que garantem a estabilidade do tronco, durante os movimentos das extremidades, como pernas, braços e cabeça, sob a ação da força de gravidade (Anderson BD & Spector A 2000).
De acordo com vários autores, um dos principais músculos dessa região é o Transverso do Abdome, que participa também no controle da respiração. Outro músculo também importante na estabilização é o Multifidus, do grupo dos Eretores Profundos da coluna (Johnson J 2002; Richardson CA et al 2001; Norris CM 2001; Liebenson C 2000).
A estabilidade do “Core” depende de co-contrações musculares de pares agonista-antagonista, suficientes para manter a postura de “Coluna Neutra”, ou seja em estabilidade isométrica. Entretanto, o Transverso do Abdome, sendo um músculo que participa da respiração, pode ser inibido durante movimento do tronco seguido de dor, pois o sistema nervoso terá preferência em manter o controle respiratório sobre o motor (Richardson CA et al 2001; Liebenson C 2000; Hodges PW & Richardson CA 1999). Da mesma forma, na presença de dores lombares, o sistema nervoso tem preferência no recrutamento dos músculos dinâmicos globais, na tentativa de manter a estabilidade, inibindo também o Multifidus (Johnson J 2002; Norris CM 2001; O’Sullivan PB 2000). Para podermos resgatar a memória sensório-motora precisamos garantir que o recrutamento reflexo dos músculos da parede abdominal e dos eretores profundos da coluna se torne preferencial, antes mesmo que se inicie qualquer movimento das extremidades (Richardson & Jull 1995; Cresswell AG et al 1994).
Por isso, nos baseamos em um programa de condicionamento, que tem por base o ambiente contendo os equipamentos de Pilates, que facilitam através de molas espirais, a co-contração voluntária e mais consciente destes músculos, principalmente o Transverso e o Multifidus, durante todo movimento (Herrington L & Davies R 2005; Liebenson C 2000; Anderson BD & Spector A 2000).
Quando tais objetivos são atingidos, em nosso Centro Terapêutico, dizemos que o individuo esta se tornando “imune” às dores nas costas. De fato, um treinamento cíclico e moderado de força e estabilização durante movimentos do tronco, induz uma resposta adaptativa que resulta no fortalecimento de músculos e aumento da resistência de ossos, ligamentos e inclusive dos discos intervertebrais (Adams MA & Dolan P, 2001; O’Sullivan PB 2000), estabelecendo-se assim um equilíbrio satisfatório entre os componentes Passivo, Ativo e Neurológico, proposto por Panjabi (Panjabi MM 1992).
Em resumo, devemos salientar que o conceito de condicionamento de estabilidade do “Core” pode ser referido, não só em relação à região Abdomino-Lombo-Pelvica, mas para outras regiões articulares, onde haja deficiência de equilíbrio nos pares agonista-antagonista, ou seja, falta de estabilidade isométrica entre grupos musculares intrínsecos e extrínsecos, superficiais e profundos, movedores e estabilizadores, fásicos e tônicos. Por exemplo, podemos estender este conceito nos referindo ao “Core” da região cervical, do joelho, do ombro, tornozelo, etc. Isso significa que uma ou mais articulações devem manter-se estáveis, enquanto que outras são dissociadas para executarem movimentos balísticos ou com sobrecarga, sem transferência de impactos sobre o resto do sistema. 


Consciência Sinestésica e Fixação do Aprendizado Motor

A aplicação do aprendizado motor em todas as tarefas do cotidiano, corresponde ao propósito final de nosso Programa de Treinamento para a Estabilidade da Coluna. A eliminação inicial dos efeitos do estresse impressos na estrutura, através da Terapia Manual Integrativa, acarretará em uma sensação de leveza e bem estar. E se o individuo optou por mudanças mais profundas oferecidas pelo Método Rolf de Integração Estrutural, além de apresentar-se com mais vitalidade e energia, experimentará a percepção de seu corpo no campo gravitacional, buscando posturas mais alinhadas e confortáveis (Myers TW 2005, 2004, 2002).
Entretanto, poderá constatar a necessidade de maior sustentação e condicionamento dos músculos posturais, para reforçar os efeitos destes processos. Ou seja, desejará aumentar a resistência através do condicionamento para a geração de força a partir do “Core”, para a execução de movimentos sem perda da estabilidade da coluna. E é neste momento que o individuo ingressa no programa de treinamento abdominal e respiratório, proposto pelo Método Pilates, passando a ser encorajado a aplicá-los nas tarefas do cotidiano, no trabalho, esporte ou lazer (Herrington L & Davies R 2005; Liebenson C 2000; O’Sullivan PB 2000; Lange C et al 2000).
    A caminhada é uma pratica comum de atividade física, indicada muitas vezes pelos médicos, mas a maioria das pessoas a adota sem nenhum critério de aprendizado motor. Por esta razão, podem desanimar e desistir rapidamente de tal pratica, por estarem executando de forma desconfortável, muitas vezes acompanhada de episódios de dores nas costas, provocadas por algum tipo de estresse biomecânico.
    A capacidade de correção postural e a aquisição de consciência para o movimento, junto com o treinamento reflexo de respiração e estabilidade, proporcionado pelo nosso Programa, constituem-se de princípios básicos muito importantes para transformar a pratica de caminhadas, ao ar livre ou sobre esteira, em uma atividade sem risco de lesão ou estresse (Apt K 1999). Por esta razão, introduzimos a pratica de caminhada com o impulso dos braços, denominada de Nordic Walking, que coloca em pratica os princípios dos Metodos Rolf e Pilates, com o propósito de aumentar a fixação do Aprendizado Motor.
    Inventado na Finlândia pelos esquiadores, que devido à falta de condições estáveis de neve no verão, necessitavam de uma atividade física que os mantivessem em forma, Nordic Walking vem ganhando popularidade no mundo inteiro, desde a sua criação, depois da adaptação dos "sticks" para o uso em superfícies de asfalto, areia, gramado e trilhas nas montanhas (www.inwa.com).
Este método é muito interessante, pois pode ser praticado ao ar livre, acrescentando impulso dos braços, alem das pernas para se locomover, transformando em modalidade esportiva, uma simples caminhada na praia, campo, ruas ou calçadas. Alem de combater a obesidade, auxilia no tratamento da ansiedade, hipertensão e depressão. Os benefícios à saúde são incontáveis, podendo ser aplicados a na reabilitação pós-traumática ou cirúrgica, na correção de disfunções de locomoção, deficiências cardio-respiratórias e problemas circulatórios, dentre outros (Collins EG et al 2003; Church et al 2002; Walter PR 1996). Pessoas de todas as idades podem praticar o Nordic Walking, que estimula inclusive, hábitos saudáveis e uma vida plena de energia e vitalidade.
Nordic Walking pode ser praticado individualmente ou em grupos, apresentando assim uma característica singular como Trabalho Corporal Integrativo, a de estimular a socialização, ganhando alcance maior no desenvolvimento de atividades nas áreas de integração social e ambiental com as de saúde, esporte e lazer. Exige coordenação motora, postura e controle da respiração, tornando-se compatível com os propósitos do Programa de Estabilidade da Coluna, e por esta razão vem servindo como atividade complementar aeróbica para a aplicação dos fundamentos de nossos métodos, razão pela qual a denominamos de Walking-Pilates.



5. CONCLUSÃO

O presente trabalho foi elaborado a partir de um levantamento bibliográfico dos avanços recentes nas pesquisas científicas sobre dores decorrentes de disfunções da coluna. Alguns dos autores aqui mencionados participaram do “IV Congresso Mundial Interdisciplinar sobre Dores Pélvicas e Lombares” realizado em Montreal, no Canadá, em novembro de 2001(Adams MA & Dolan P, 2001). Muitos dos fundamentos propostos pelos Métodos Rolf e Pilates estão sendo confirmados através das investigações cientificas destes pesquisadores (Schleip R 2003, 2002, 2000).
A postura ereta humana constitui um grande desafio à natureza. Andar sobre duas pernas, com a coluna vertical é uma tarefa que pode causar impacto sobre as regiões Lombar e Sacro-ilíaca, pois temos que sustentar o peso do tronco, além da cabeça, pescoço e braços. Sem contar o peso adicional que podemos estar levando nas mãos ou por problemas de obesidade. Podemos então assumir que, as dores Cervicais, Lombares e Sacro-ilíacas são problemas inevitáveis para a espécie humana e sempre se apresentarão, antes mesmo que alguma lesão ocorra (Fonseca V 1998; Murphy M 1992).
Em termos evolutivos a adoção da postura ereta pelos humanos deve ter coincidido com a expansão dos hemisférios cerebrais que culminaram com o desenvolvimento da racionalidade e da fala. A liberação das mãos, associada com a inteligência é que nos possibilitou a evolução para uma sociedade baseada na capacidade tecnológica (Lovejoy CO 1988). Graças a todo este potencial criativo, somos capazes de construir desde espaçonaves, radares e telescópios a grandes edifícios e estádios, ou de tocar instrumentos musicais em uma orquestra sinfônica, até as praticas mais sofisticadas de tratamentos e cura. Entretanto, profissionais como engenheiros, atletas, astrônomos, maestros, artistas e até dentistas, médicos e fisioterapeutas, que já tenham experimentado os sintomas de dores nas costas, puderam constatar o quanto isto prejudica a execução de suas habilidades.
A proposta deste Programa é de restabelecer e manter a estabilidade da coluna através do condicionamento específico da Musculatura Postural, que por estar ligada a processos subconscientes, depende de aprendizado motor e treinamento reflexo. Trata-se mais uma vez de tentarmos solucionar um problema Antropológico com nossas próprias habilidades e inteligência, usufruindo de nosso lvre-arbitrio, como afirmava a Dra.Ida Rolf: “... talvez estejamos diante da primeira tentativa de evolução consciente que qualquer espécie já experimentou!” (Feitis R 1978)
Ao ingressar em nosso Programa o individuo pode apresentar lesões traumáticas/ degenerativas das articulações e desequilíbrios musculares, que alem de dependerem da faixa etária, podem ser fortemente influenciados por fatores genéticos, nutricionais e psico-sociais. Seu tratamento poderá envolver abordagens terapêuticas das mais variadas, mas a prevenção contra novas recorrências dependerá exclusivamente do comportamento auto-consciente e de mudanças na atividade psico-neuro-motora. Ou seja, a maneira como o individuo atua no campo gravitacional, através dos movimentos e gestos corporais é que precisa tornar-se mais consciente para poder ser modificada. Mas, esta tomada de consciência se justificará somente, se houver a possibilidade de ações que possam ser repetidas algumas vezes pelos indivíduos, sob a observação e orientação de um profissional experiente, para que possam ser incorporadas na forma de aprendizado (Herrington L & Davies R 2005; Anderson BD & Spector A 2000; Liebenson C 2000; Lange C et al 2000).
Para tornar as pessoas isentas das dores que freqüentemente sentem em conseqüência de distúrbios da coluna, é preciso “vacina-las”. Os processos de vacinação, de forma análoga ao condicionamento físico, dependem de estímulos prévios da memória imunológica com um agente infeccioso, para que o organismo reaja com mais potencia no próximo contato com o mesmo (Vaz N & de Faria AMC 1990; Jerne NK 1985; Blalock JE1984). Da mesma forma, o complexo Mente-Corpo armazena na memória, aprendizado de idéias e reflexos motores que servirão de base comportamental em eventos futuros (Fonseca V 1998; Murphy M 1992).
As disfunções da coluna são conseqüências do próprio envelhecimento e desgaste provocado pelos movimentos no campo gravitacional. Evidentemente, esses movimentos surgiram diante da necessidade de expressão do individuo e foram criados através de anseios e desejos vindos das profundezas de sua alma (Murphy M 1992).
Portanto, não podemos mais deixar de admitir que à medida que envelhecemos, podemos nos tornar mais sábios, e por possuirmos o livre-arbítrio, deveremos selecionar, não só a quantidade, mas com que qualidade, iremos executar nossas atividades diárias de trabalho, esporte ou lazer.





















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Atualizado em ( 31-Jul-2008 )
 
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